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E se...?


A vida é mesmo uma imensa estrada com várias bifurcações ao longo do caminho. Somos obrigados a todo momento a escolher e escolher significa renunciar. Estamos sempre renunciando de algo, ou seria escolhendo, optando por algo? Depende do ponto de vista. E essas escolhas por vezes tem toda poesia contida em si, ora não são nada poéticas. Chegamos a uma altura da vida, que pensar demais nas renúncias que fizemos, traz a tona uma imensa saudade. A famosa saudade do que ainda não vivemos, talvez o que nunca vamos chegar a viver, porque não pagamos pra ver. Não é uma saudade que dói, mas uma saudade que atiça a curiosidade, longe de arrependimento, por mais que a vida esteja funcionando bem no caminho em que estejamos andando, os pensamentos, as idealizações e a dúvida sempre vem. É uma saudade que não pode ser matada, esse caminho pode ainda estar ali e se apresentar de novo em nossa jornada, porém não estará exatamente como estava no passado, e digo isso me baseando na teoria de Heráclito de que ninguém se banha duas vezes no mesmo rio (porque a pessoa não é mais a mesma e nem o rio, com a fluidez de suas águas). O que quer dizer que tudo muda, nada fica parado no tempo. A vida faz questão de bagunçar tudo que estiver ao seu alcance pra relocar tudo, onde você menos imagina. Aquele caminho estará as avessas e quando se apresentar de novo em sua frente, pode ser que você já não tenha quente em si a mesma curiosidade de desvendar, ou talvez a tenha dobrada.
Escolhemos o caminho aqui, e resolvemos colorir nossa história deste lado da estrada. Algumas vezes escolhemos com o coração, outras com a razão. Pela necessidade, pela pressão. O "you and me in paradise" pode nunca acontecer, os sonhos, as oportunidades e idealizações estão em algum lugar do tempo ou voaram feito poeira ao vento, quando nos rendemos as asas da mudança.
Eu prefiro pensar que nós existimos também em uma realidade paralela e que toda a escolha que deixamos de fazer, na verdade estamos vivendo, só que em uma outra dimensão. Veja a imensidão em que vivemos, será possível que só exista isso, aqui, agora, concreto? 
É o frio na barriga que intriga, é o que não se pode explicar aos normais. Tudo aquilo que deixo pra trás, volta pra me visitar em pensamento. Tudo o que deixou de ser, o que evitei, o que mandei embora. Não me arrependo de nenhuma decisão sequer, tudo o que escolhi me trouxe o crescimento e o orgulho daquela que me tornei, mas não seria bom poder visitar cada universo das coisas que deixamos pra trás na cinza das horas, no passar dos anos? Essa nostalgia dá um sentido imenso a vida e isso me arranca sorrisos e suspiros sempre que olho pra trás.
E com egoísmo e sede de viver de tudo, proclamo que gostaria algum dia de ter o poder de viver a vida todinha do avesso, com toda a minha intensidade e esplendor. 
Que passado brilhante, na brevidade das coisas...
Vivo apaixonada por minhas memórias e já nasci saudosa. 
É incrível a forma como tudo dura tanto e ao mesmo tempo tão pouco!

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